quinta-feira, 5 de junho de 2014

RESENHA CRÍTICA DO LIVRO O TRISTE FIM DE POLICARPO QUARESMA- LIMA BARRETO


A obra escrita por Afonso Henriques de Lima Barreto foi publicada em livro pela primeira vez em 1915, período em que o Brasil vivia um momento de muito incentivo ao nacionalismo exacerbado, uma vez que surgia uma nova forma de governo: a república. O autor em seu livro faz uma crítica a forma de vida que sobrepõe o Brasil aos demais países. Barreto era jornalista e escritor. Na sua época, aderiu ao socialismo e usava os textos que escrevia para fazer duras críticas a República Velha e ao governo.
O triste fim de Policarpo Quaresma narra a história do major Quaresma, homem sistemático, que chegava em casa sempre às quatro e quinze, como um fenômeno matematicamente calculado. Pelos seus hábitos repetitivos e pelo seu costume de ler livros sem ter se formado, seus vizinhos o criticavam severamente. Fato que aumentou a partir do momento em que ele resolveu aprender a tocar modinhas no violão com um trovador chamado Ricardo Coração dos outros, que tinha fama de capadócio. Além do estudo de costumes através dos livros, e da música, estudava a língua dos tupinambás. Mais tarde, propõe ainda ao Congresso Nacional a instituição do tupi-guarani como língua nacional.
Nacionalista ao extremo, alimentava-se apenas de comidas brasileiras e apreciava só as coisas oriundas do Brasil. Neste fato reside todo o encargo crítico da obra do escritor, uma vez que ao mostrar as consequências de praticamente “idolatrar” o seu país, o autor revela uma realidade insana e totalmente ingrata, gerada pela falta de importância que Quaresma tinha para o sua amada pátria.
O livro traz bons exemplos da difícil realidade enfrentada por Quaresma, mas que fora gerada por ele mesmo, uma vez que resolve adorar seu lugar de origem. Há um momento na história que Policarpo, que ele é taxado de louco, portanto, é levado a um hospital psiquiátrico, local onde fica por seis meses. Depois, compra o sítio Sossego, de onde teria o seu próprio sustento e provaria as terras que considerava as mais férteis do mundo. Posteriormente, além da sua plantação ser invadida por formigas, sua nova tentativa de plantio é vítima da infertilidade do solo. Assim, o autor mostra como a pátria pode ser ingrata com os nacionalistas exagerados.
Apesar de decepcionado, o patriota não desiste. Volta a praticar ações que promovem a sua nação. Mesmo que o país fizesse coisas injustas, ele apoiava. Por exemplo, quando se ele se uniu ao Marechal Floriano Peixoto, para elaborar propostas de reforma na Revolta da Armada.O fim do romance é dedicado aos acontecimentos pós revolta.

Durante toda a sua trajetória e com todo o seu nacionalismo exagerado, Quaresma sente-se apenas decepcionado com o destino da sua vida, que talvez acabe lhe custando um preço que não valha a pena. Assim, para mostrar algumas consequências de ser exagerado politicamente, o autor escreve a citada obra.